Naquele banco de jardim, estava ele deitado, aquele pobre idoso que tem perto de 80 anos. Coitado abandonado pela família e sem ter para onde ir nem ter a quem recorrer, mora agora num banco no jardim do centro da cidade. Todos os que ali passam podem vê-lo, a mendigar, a dormir a sua sesta, por vezes tem ataques de loucura e diige-se às pessoas, como sendo pessoas da sua família, no outro dia dirigiu-se ao médico da cidade como sendo o seu filho, o médico muito indignado camou o velho de maluco, mas tu que estavas lá não fizeste nada, vocês todos que passavam não faziam nada, nem eu, nem mesmo esses políticos que prometem mudanças para todos, ora aí se vê onde está a solidariedade e generosidade de todos, até mesmo a minha. Quem o vira e quem o vê, antes todo aperaltado, agora mendiga por um bocado de pão seco. Morreu no outro dia, o pobre, deitado no seu banco de jardim, com o jornal sobre o seu corpo, aberto na página de desporto. Ninguém foi ao funeral, pelo que ouvi dizer nem padre houve, enterrado lá no fundo do cemitério, sem caixão, pois era muito caro e a câmara não tinha dinheiro. Mas apesar de tudo tu não o foste velar, sozinho até no dia do seu funeral, com aqueles trapos que trazi vestidos, de à não sei quanto tempo para cá.
Tem está morto e enterrado, mas apesar disto muitos passam e nem dão pela falta do velho. Tu no início ainda paravas e olhavas, olhavas com um ar de que faltava algo, mas logo te esqueceste e continuaste com a tua vida apressada.
Ana Lourenço
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