domingo, 2 de maio de 2010

Poema à Mãe

(...)

"Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves."

terça-feira, 20 de abril de 2010

Camões, poeta de Portugal


Da obra de Camões foram publicadas, em vida do poeta, três poemas líricos, uma ode ao Conde do Redondo, um soneto a D.Leonis Pereira, capitão de Malaca e um poema épico Os Lusíadas.
Foram ainda representadas as peças teatrais Comédia dos Anfitriões, Comédia de Filodemo e Comédia de El-Rei Seleuco. As duas primeiras peças foram publicadas em 1587 e, a terceira, apenas, em 1645, integrando o volume das Rimas de Luís de Camões (compilação de poesias líricas antes dispersas por cancioneiros).
Um volume que o poeta preparou, intitulado Parnaso, foi-lhe roubado.

A data do seu nascimento, bem como do local, é incerta.
Pensa-se que a sua família teria ascendência galega, embora se tenha fixado em Portugal séculos antes. Pensa-se, também, que estudou em Coimbra, mas não se conserva nenhum registo seu nos arquivos universitários.
Camões morreu a 10 de Junho de 1580, ao que se diz, na miséria.
No entanto é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida.

Mudam-se os tempos...

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades;
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança
e do bem, (se algum houve...),
as saudades".

Camões

quarta-feira, 24 de março de 2010

25 de Abril

Era tudo um sonho escondido
Era uma tortura sem fim
Portugal era um país perdido
Num sonho que se apoderava de mim

Pessoas fugiam
Outras, eram torturadas
Pois as polícias
Continuavam espalhadas...

Num sonho negro
Alguém disse
Vamos tirar daqui
Aquele morcego!

A rádio a funcionar,
As pessoas a gritar
E os cravos
Disparados pelo ar!

Com o povo unido
Aquele governo
Foi de logo banido!

Aquele dia na cidade
Ficou conhecido
Por dia da LIBERDADE
Pois o meu sonho tornou-se realidade!

Dia Negro

O mundo está de negro
de luto a minha dor...
As pétalas da rosa,
caiem com furor!

O céu está na escuridão,
O manto preto espailha-se ao redor.
O sol está de luto
Só há escuridão!

Os olhos estão cegos!
Os sentidos pouco apurados

Que adianta ver ,
quando nada se vê!
Que adianta ouvir,
quando nada se ouve!

As palavras...
rasgam a solidão!
O eco...
profura a imensidão!
Mas não há resposta!

terça-feira, 23 de março de 2010

Carta de reclamação.

Excelentíssimo arcanjo!
Eu fidalgo dom Anrrique morador na rua dos caixões nº14, venho por este meio reclamar que o anjo, capitão da barca do paraíso, foi mal-educado, desrespeitoso e ofensivo para comigo, que sou um fidalgo de alta cortesia.
O anjo insinuou que eu, fidalgo dom Anrrique, era tirano, vaidoso, presunçoso e que não podia entrar na barca do paraíso.
Agradeço que informe o seu anjo que não pode tratar deste modo um fidalgo de solar como eu. Espero que tal incidente não se volte a repetir e exijo uma indemnização.

Os meus cumprimentos,
Fidalgo Dom Anrique
ANDRÉ FRANCISCO
Inspiração

Estáva sem nada para fazer
decidi escrever.
De lápis na mão
a espera de inspiração.
Vem inspiração
nem que seja num balão.
Um poema quero escrever
para depois ler.~
E a espera de inspiração
termino assim este poema.

ANDRÉ FRANCISCO

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Quem vem lá? Hou da barca!"


Num rio, duas barcas (do outro mundo) prontas para partir. Na barca do paraíso, um anjo, na barca do inferno, um diabo...uma série de personagens chegam a esta praia.
São os mortos que acabaram de morrer.
Chegam, um fidalgo, um onzeneiro, um parvo, um sapateiro, um frade, uma alcoviteira, um judeu, um corregedor, um procurador, um homem que acaba de morrer enforcado e, finalmente quatro cavaleiros cristãos...figuras colectivas que sintetizam qualidades e defeitos de uma época, o "Teatro de tipos". Por fim, só os quatro cavaleiros e o parvo embarcam para o paraíso. O parvo é salvo pela simplicidade de espírito, modéstia e humildade.
E assim, na minha opinião, a sociedade quinhentista poderia ser a de hoje, e não havendo "parvos", haveriam os "cómicos de linguagem", o que é a mesma coisa, porque têm a função de expôr os mesmos problemas e a mesma falta de valores sociais.

Para ti, Pai...

A minha vida é, um pequeno puzzle, que se vai construindo e tu, és uma das muitas e mais importantes peças.
Pai, nem sempre podes estar presente, nos momentos mais importantes para mim. É um triste facto mas... eu estou habituada e sei que, se pudesses lá estarias. Compreendo que o teu trabalho não permita isso.
Dás sempre o melhor de ti, em tudo o que fazes...
Encorajas os outros a fazer o mesmo...
Nunca desistes...
És determinado...

Desde que me lembro da minha existência, sempre fomos muito próximos, talvez por ser a primeira filha, que tu tanto querias, sempre tivemos...
Agora temos...
E, sempre teremos...
Um sentimento que nos une...
Que nos aproxima...
Que nos alimenta...
Que nos lembra... que aconteça o que acontecer, nos temos um ao outro e que nada, nem ningém nos vai separar.

Se chego ao final do dia e não falei contigo, nem te vi, tudo o que aconteceu no meu dia, as coisas boas, as coisas más... os momentos felizes, animados e sentidos... deixam de ter sentido, é como se não tivessem passado por mim.

Mas tenho-te sempre comigo!!!

Quando me surge um obstáculo ou um "problema", tento pensar como tu pensarias e tento resolve-lo como tu o resolverias. Assim tudo é mais fácil!

Como é complicado estarmos juntos, existem episódios especiais... passados em família... que... marcam muito... ficam na memória, para mais tarde recordar, sempre que quiser e sempre que sentir a tua falta!

Admiro-te!!!
És o meu ídolo...
Quero ser como tu...
És a minha luz...
Quero que me ilumines...
Tu fascinas-me!!

Sem ti nao era quem sou..

O que me ensinas e o que me transmites dia após dia, hora após hora, momento após momento, é o que sou... é o que vejo em ti... é o que aprendo contigo... e acima de tudo...
É UMA LIÇÃO DE VIDA!

Tribunal das Barcas

Vem um camponês, muito zangado e indignado, que chega ao tribunal das barcas e diz:

Camponês: É aqui que se vem depor contra o Sapateiro?
Diabo: Houlá! Ainda agora vem a chegar e já diz que é contra!
Anjo: Junte-se a nós amigo, e diga-nos quanto é que o malvado sapateiro o roubou!
Camponês: E eu lá sei dizer quanto?! Foram anos e anos disso. De uma vez foram umas botas para pôr meias solas que em vez de demorarem dois dias demoraram uma semana inteira. Primeiro era porque não havia sola, depois não havia linha e no fim quase não havia dinheiro no meu bolso para pagar tamanha roubalheira!
Sapateiro: Ó compadre, voce disse-me que me ia trazer umas botas para pôr meias solas, não me falou de umas barbatanas! Traz-me de lá umas botifarras número 45, estava-se mesmo a ver que não havia material que chegasse.
Camponês: Então e da outra vez que lhe pedi para coser os sapatos do meu filho, levou-me dez moedas pela linha de alta qualidade, resistente a todo, e depois à primeira vez que o miúdo os calçou ficou logo com o dedo de fora!
Diabo: Não me vais dizer, Santo Sapateiro honrado, que o dedo da criança cresceu de um dia para o outro!
Sapateiro: Hou barqueiros! Que aguardais?
Vamos, venha a prancha logo
e tirai-me deste cais.