
Num rio, duas barcas (do outro mundo) prontas para partir. Na barca do paraíso, um anjo, na barca do inferno, um diabo...uma série de personagens chegam a esta praia.
São os mortos que acabaram de morrer.
Chegam, um fidalgo, um onzeneiro, um parvo, um sapateiro, um frade, uma alcoviteira, um judeu, um corregedor, um procurador, um homem que acaba de morrer enforcado e, finalmente quatro cavaleiros cristãos...figuras colectivas que sintetizam qualidades e defeitos de uma época, o "Teatro de tipos". Por fim, só os quatro cavaleiros e o parvo embarcam para o paraíso. O parvo é salvo pela simplicidade de espírito, modéstia e humildade.
E assim, na minha opinião, a sociedade quinhentista poderia ser a de hoje, e não havendo "parvos", haveriam os "cómicos de linguagem", o que é a mesma coisa, porque têm a função de expôr os mesmos problemas e a mesma falta de valores sociais.
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