segunda-feira, 22 de março de 2010

Tribunal das Barcas

Vem um camponês, muito zangado e indignado, que chega ao tribunal das barcas e diz:

Camponês: É aqui que se vem depor contra o Sapateiro?
Diabo: Houlá! Ainda agora vem a chegar e já diz que é contra!
Anjo: Junte-se a nós amigo, e diga-nos quanto é que o malvado sapateiro o roubou!
Camponês: E eu lá sei dizer quanto?! Foram anos e anos disso. De uma vez foram umas botas para pôr meias solas que em vez de demorarem dois dias demoraram uma semana inteira. Primeiro era porque não havia sola, depois não havia linha e no fim quase não havia dinheiro no meu bolso para pagar tamanha roubalheira!
Sapateiro: Ó compadre, voce disse-me que me ia trazer umas botas para pôr meias solas, não me falou de umas barbatanas! Traz-me de lá umas botifarras número 45, estava-se mesmo a ver que não havia material que chegasse.
Camponês: Então e da outra vez que lhe pedi para coser os sapatos do meu filho, levou-me dez moedas pela linha de alta qualidade, resistente a todo, e depois à primeira vez que o miúdo os calçou ficou logo com o dedo de fora!
Diabo: Não me vais dizer, Santo Sapateiro honrado, que o dedo da criança cresceu de um dia para o outro!
Sapateiro: Hou barqueiros! Que aguardais?
Vamos, venha a prancha logo
e tirai-me deste cais.

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